sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

RODA DA VIDA 


Na roda viva do dia-a-dia

Madrugada insone 

Se eu fosse poeta

Escreveria...


Nas entrelinhas da poesia

Sentindo o coração disparar

A vida pareceria sólida 

Sem formato, sem dor...


Brindemos!

Há taças na mesa

Comida, vinho, afetos...


É tempo de visitas 

Enunciando anistia, cura, cicatrizes...


Que lembrança lhe traria?


Paradoxalmente 

Na linguagem poética 

Pareceu-me ter visitado 

A breve vida de "Camões"

"O querer estar preso por vontade"

"Servir a quem vencido está"

Des Contentamente

Com a devida "lealdade."


Seria isto concebível? Aceitável?


Não sei determinar quando deu-se início 

Ainda não era dia

Ele chegou 

O "poeta das infâncias"

O "fazedor de amanhecer"

Convidou-me a tornar-me aurora 

(Aquela que após uma longa noite 

se rende ao Sol Nascente)


Descansei

Na "percepção que vê "

Na "memória que revê "

Na "imaginação que transvê."


Repito:

Não sei determinar quando deu-se início 

Sentir-me rendida

À aurora que transformou-me em manhã. 


Esta é a minha vida. 

Esta é a sua vida.

Assim é a vida?


Acabou de acontecer

Deve ter sido um sonho...


Ana Gomes 

20/12/2024







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