terça-feira, 7 de abril de 2026

 INTERLÚDIO


Destacou:


… este é um caminho solitário.

Pareceu-lhe que a luz diminuiu.


A vergonha cora o rosto!

Mesmo no mais forte dos corações,

pesou…

Ainda não é hora para escrever poemas!

Registra:

Algo entre a noite e o dia

lhe pede abrigo…

Ainda dá tempo de olhar nuvens no céu!

A quem deve endereçar?…


Talvez seja a hora de escrever poemas…


Ana Gomes

07/04/2026

domingo, 25 de janeiro de 2026

 MANIFESTO 


A sensação era de vigília 

Nítida 

Com a devida precisão 

De uma memória 

Do que já não existe...


O que há por trás do pranto?!


Busquei Gibran, poeta filósofo 

Imergi em seu ambiente 

Estive em seu coração...

Lado a lado

Subimos montanhas 

D'ele ouvi sobre o amor

Seu altruísmo 

Sua força transformadora 

Que une em liberdade...


Ofertou-me um fruto

De dura casca

Quebrei-o

Plantei-o

Deixei-o sob o sol

Seguindo o curso

Das estações da vida...


Uma breve compreensão atingiu-me:


Oh! Persistente inverno 

Por que insistes em ressurgir?

Dessacraliza-te!

Remodela-te!

Confronta a tua humanidade!

Utiliza-te do teu cajado

( De tão antigo que és)

E segue

Pastoreia

Guia Ovelhas 

Distância-as dos lobos 

Conceda-lhes a liberdade...


Por instantes, me distrai da razão...


Ana Gomes 

2026




sexta-feira, 5 de setembro de 2025

 ENLEVO


Aos cinquenta e cinco anos

Ao ponto de perder o fôlego 

Feito Fernando Pessoa 

Penso

"Ter visto tudo e sentido tudo"


SETEmbro

Sobrepondo-se a mim

Por tantas vezes te experimentei!


Carregada de "histórias "

Genuínas 

Memoráveis 

Preenchestes o meu olhar...


Quanto de ti há em mim?!


Metaforizo uma ode à esperança 

Despedindo-me da aguda dor 

Que se foi...


Importa-me saber:

Seria a vida uma "Obra Poética?"


Absorta em pensamentos 

Protagonizo o meu destino...


Sei,

Há qualquer momento 

Ocorrerá 

O fechar das cortinas...


Ana Gomes 

05/09/2025




terça-feira, 8 de julho de 2025

 FLUXO


Como quem foge

Do compasso rotineiro do tempo

Me perco

Na musicalidade do teu olhar...


Sem esforço 

Como quem quer construir um ritmo

Eu,

Na minha espontaneidade 

Crio memórias...


Por que espanto-me tanto?!

Não sei bem

Se o tempo era o certo

(Ou sei?)


Tempo para repousar

Do excessivo frio

Do esgotante calor 

Tempo para romper 

A barreira geográfica 

Tempo para a despedida 

Para o recomeço...


Corpos nus

Inspira

Respira

Num abraço 

E de novo noutro...


Enquanto há vida

Ela deseja

Das tuas mãos 

Uma flor receber...


Por certo,

São instantes que não voltam mais

Ana Gomes



sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

RODA DA VIDA 


Na roda viva do dia-a-dia

Madrugada insone 

Se eu fosse poeta

Escreveria...


Nas entrelinhas da poesia

Sentindo o coração disparar

A vida pareceria sólida 

Sem formato, sem dor...


Brindemos!

Há taças na mesa

Comida, vinho, afetos...


É tempo de visitas 

Enunciando anistia, cura, cicatrizes...


Que lembrança lhe traria?


Paradoxalmente 

Na linguagem poética 

Pareceu-me ter visitado 

A breve vida de "Camões"

"O querer estar preso por vontade"

"Servir a quem vencido está"

Des Contentamente

Com a devida "lealdade."


Seria isto concebível? Aceitável?


Não sei determinar quando deu-se início 

Ainda não era dia

Ele chegou 

O "poeta das infâncias"

O "fazedor de amanhecer"

Convidou-me a tornar-me aurora 

(Aquela que após uma longa noite 

se rende ao Sol Nascente)


Descansei

Na "percepção que vê "

Na "memória que revê "

Na "imaginação que transvê."


Repito:

Não sei determinar quando deu-se início 

Sentir-me rendida

À aurora que transformou-me em manhã. 


Esta é a minha vida. 

Esta é a sua vida.

Assim é a vida?


Acabou de acontecer

Deve ter sido um sonho...


Ana Gomes 

20/12/2024







terça-feira, 10 de dezembro de 2024

 ORGANISMOS


Sentiu em si

O quanto de silêncio possui...


Teve a impressão de saber-se

Ora escuridão da noite 

Ora luz do dia...


Estranha-se

Uma vez

Outra vez...


Calma e atenta 

Ligeiramente indaga:

Mesmo que lhe pareça curto

Quanto tempo dura uma "vida"?

Sentiu em si...

Jogar aos "quatro ventos" ou acolher o suave e agradável Zéfiro?


Afetada pelo silêncio 

Além dos cursos dos rios

Continuamente prossegue 

Este é o seu papel...


Decidiu levar flores para casa...


In Memoriam

Ana Gomes 

10/12/2024



terça-feira, 3 de dezembro de 2024


SABIÂ LARANJEIRA


Madrugada 

E cá estamos nós 

Meu costumeiro companheiro 

Feito uma canção de abertura 

Numa melodia que insiste 

Linear

Harmonica 

Pulsante...


Pressinto

Aos primeiros raios-de-sol

Comtemplaremos

O desabrochar 

Da mais  "Bela Manhã "

Versátil 

Abundante 

Renovada

Em suas diferentes tonalidades 

Nos mais rochosos dos jardins 

Compondo a decoração 

De um novo dia...

Ana Gomes





segunda-feira, 18 de novembro de 2024

 COSTURA 


Sem expressar assombro 

Mãos entrelaçadas 

Ouviu a poesia chegar... 


Sabores se misturam...

Pareceu-lhe mais  

Um passeio dominical! 


O aroma da infância 

Que gosto terá?  


Pupilas se dilatam 

Ambos sorriem  

O sol cedo dormiu...

Ana Gomes 




quinta-feira, 20 de agosto de 2020

     

RENOVAÇÃO

                                                                          A primavera se aproxima 

E assim te percebo 

Na imagem da borboleta 

Feito tudo que floresce 

Numa ascendente espiral 

No ritmo de quem aprende 

Ao romper do casulo 

Deixando para trás 

Num póstumo passado 

O tempo do rastejar...


Como numa ilustração 

Borboleta Branca 

Estende tuas brilhantes asas 

Dias de leves brisas te esperam 

Poderás pousar 

Na tua alaranjada flor 

A mais bela Margarida 

Representante do afeto e bondade 

A preferida das crianças 

Nas brincadeiras infantis ...


Flutua etérea borboleta 

Poliniza tuas flores

Cumpre o teu ciclo na vida 

O tempo se move  

No seu poder transformador...

Ana Gomes 

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

COSMO

Como nada antes visto
Como se eu soubesse dos mistérios
Acima do tempo
Estive...
Ah! Momentâneo descanso!
Oh! Impactante beleza!
O que fizeste a mim?!
Atingiste
O solo rochoso do meu espírito
O meu ego se desfez
(Já não havia apego)
Pude sentir
A eternidade manifesta
Na vibração
Do indescritível som
Sem começo
Sem fim...
Gravitou em mim
Imparcial verdade: O grande Vivaldi
Aqui esteve!
E na sua sensibilidade
Em “As Quatro Estações “
"Representou as canções  dos pássaros
O som murmurante dos riachos
Relâmpagos anunciando a primavera
Noites silenciosas..."
Eu,
Perdi o conhecimento de mim mesma
E nas instâncias da minh'alma
Antes, nunca visitadas
Eclode festiva calmaria
Lágrimas silenciosas fluem dos meus olhos
Uma atrás da outra
Na mais profunda gratidão...
Ana Gomes