domingo, 16 de dezembro de 2012

GRILHÕES

Ergueu os olhos
Era comum
Aquele olhar

Que tudo avistava
O deteriorar das horas
Consumidas pelo tempo
Lhe mostrava
O antes
O depois...
Num movimento
Quase que ligeiro
Aproximou-se da janela
Viu a noite
De perto
Era chegado o momento
Da liberdade
Da quebra
Os resistentes grilhões
Seriam partidos
E dela
A poesia se aproximava
E quantas vidas ela tivesse
Saberia
Que dela precisava
Para a paz
Para a alegria
Preenchendo aquele vazio
Que pelas horas
Que pelo tempo
Deveria ser consumido...

Ela renascia...
 
Ana Gomes
 
 

domingo, 2 de dezembro de 2012

SUJEIÇÃO


Condição humana
Percebo
Pressinto
Amor
Motivo único
Da vida...
Condição humana
Me entristece
A frieza
Das máquinas
Nas quase almas
Dos mortos vivos
Homens...
Minha poesia arde
Palmas das mãos
Toque
Textura
Cheiro suave
Forte...
Longo caminho
Reaprendo a viver
Sem ver
A contemplação
Da verdade
Nas humanas
Atitudes...

Direciono
Meu favorecido destino
Refresco minh’alma
Despida
Desta desconcertante
E convencional
Condição
Humana...

Ana Gomes

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ORQUESTRA



Notas musicais
Flutuavam
Fina melodia...


Atentamente distraída
Feito poeta
Ouviu do silêncio
O som
Ela parou...




Feito borboleta
Aventureira
Coloridas asas
Ela bailou...




Das sombras
Sensivelmente
Percebeu
Sua invisibilidade
Feito poeta
Ela prosseguiu
Acreditou
Coloriu
Amou
Apaixonadamente escreveu
Comprou rosas
Perfumou
Feito poeta...

Ana Gomes




PIPAS


Na terra
Em busca 
Do vento...

Pipas
Linhas
Das minhas mãos
Sentimentos
Perdidos
Correntes
De vento
Manobras
Rasantes
Me carrega
Recordação
Me traz
Pra perto
De mim
Livre
Por aí...

Céu
Pipa
Eternidade
E eu...

Ana Gomes







quarta-feira, 7 de novembro de 2012

ALINHAMENTO

Feito Alquimia
Atenta
Necessária
“Caminhada” silenciosa
Dissolve
A solidão
Dispersa
A agitação
Dispensa
As palavras
Numa alma
Que circula
Na vida
Alinhada
À emoção...

Acordei para a alegria...
Ana Gomes




UNIDADE


Numa região
Particular
Longe
Do alcance
Da objetividade
Do mundo
Retrospecto
Examino
Reflito...
Esta região
Esta espécie de vida
Esta unidade
Em mim
Que causa estranheza
Aos olhos
De estranhos
Humanos
Ao mundo
Subjetivo
De mim...

Longe,
Muito longe
Do comum
Ela
Na sua
Região...
 

Ana Gomes


Água


Água
Dissolve
Modifica
Afunda
Meu olhar
Se perde...
Sempre
Me vejo

Em
Qualquer idade
Pés
Nas águas
Do mar...
 


Ana Gomes






sexta-feira, 2 de novembro de 2012


Ando
E
Observo
Os carros
Passam
Com a pressa
De quem
Nada vê
Pessoas
Nos escombros
Urbanos
Da vida
Abandono
Que constrange
Inquieta
Pronuncia esquecimento...

"Diga ao mundo
Que estamos
Aqui."..
Ana Gomes

METAMORFOSE


Tempo
De dentro
Tempo
De fora
Da matéria
Viva
Com o tempo
Jogada fora
Branqueia cabelos
Altera fisionomia
Apodrece...
Tempo
De dentro
Amadurece
Mantém a verdade
Brilho nos olhos
Dispensa tolices
Prevalece
Tão sábio
Se mostra...

Ana Gomes







Adentrei
Na dimensão
Da fragilidade 
Humana
No nada

Me vi
Prestígios
Honrarias
Títulos
Redomas Naufragadas
Quantificável engano...

Ana Gomes





quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Anterior
À mim
A poesia
Em mim
Se dispõe
Transgride
Ocupa espaços
Essencializa
As linhas
D’uma existência
Me torna
Vidente
Abstrata
Criadora
Criatura...
“Ser
Ou não
Ser”?

A poesia...

Ana Gomes


domingo, 28 de outubro de 2012

COMPOSIÇÃO

No seus olhos
Aquarelado cenário
Resistente

Ao tempo...
O tinto vinho
Tingindo
Lençóis
Almas
Corpos
Suor...
Vozes orquestradas
Delírios “Intocáveis”
Harmoniosa toada...

Do seus olhos
Brotava
Uma aquarela...
 
Ana Gomes
 
 
 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Descombina
Verdade
Mentira
Poema
Sem rima
Madrugada
Ele poema
Ela rima
Descombina
Língua
Que separa
Instinto
Descombina
Manhãs
Cobertas
Pés entrelaçados
Filmes
Descombina...

Ana Gomes


Vejo Pessoa
Nas pessoas
No peito
O vazio
Do olhar
Inexpressivo...

Compreendo Pessoa
Realidade que mata
Serei sempre
Um continuado
Só...


Ana Gomes





sábado, 20 de outubro de 2012

PAR

Substância química
Explica
O meu sistema imunológico
Buscou
O teu...
Diferenças
Simetrias
Ele e Eu
Quase perfeição
Galileu
Freud
Deus
Ele e Eu...

Ana Gomes

ESCOLA

Para um adormecer
De paz
Eu preciso
Olhar nos olhos
Do mundo...
Sua paisagem,
Na insônia da noite
Se mostra
Desproporcional
Ao meu desejo
De amor,
Solidariedade
Igualdade...
Para que eu adormeça
Em paz
Na desformidade do mundo,
Desenho uma cena
Em celebração
Ao amor
Que ocupa residências
E torna vivo
O homem...
Para o meu adormecer
Ser de paz,
Eu preciso abraçar o mundo
Recolher meu egoísmo
Abrir as portas
Da minha vida
Acolher almas perdidas...
No momento
Do meu adormecer
Eu quero
A paz do saber
Que o meu tempo aqui
Foi conduzido
Pelo desejo de acertar
E eu,
Não me deixei desviar
Deste prazeroso despertar
Que mantém a minha alma
Em liberdade...

Ana Gomes



PARCEIRO DE MIM

Sou parceiro de mim
Além do conhecido por muitos
Há o que é conhecido
Apenas,
Por mim...
Os sons,
Emitidos pela multidão
Triunfa
Sinalizando a minha debilidade
Conformismo
Medo...
A vida,
Na sua maestria
Convicta me mostra
Pessoas
Presas às normalidades
Opiniões impostas
Sugeridas
Controversas
Gerando combustível
Para ideias reprimidas
Escravizadas
Incoerentes...
Sou parceiro de mim,
E por amor a mim
Tenho aprendido
A exercitar meu desejo
De manifestar
Minha liberdade de expressão
Emitir opinião
E discordar do que diz
A multidão...
A vida,
Na sua sábia maestria
Me mostra
A grande prisão
Que é ficar preso
Ao medo
Da não aceitação...
 
Ana Gomes

CORA CORALINA E EU

Hoje recordei
Cora Coralina
Mulher simples
Do fogão a lenha
Doceira
Da cidade pequena
Da poesia
Com "cheiro de mato"
Mulher da terra
Dos becos de Goiás
Contadora de histórias...
Recordei,
Aquela que acreditou
Nos valores humanos
No amor da família
Na regeneração dos encarcerados
Pela força do trabalho...
Recordei a poetisa
Que alheia ao modismo literário
Versos vivos
Pede à mulher mãe
Que cuide dos seus filhos
Com toda a sua força maternal...
Cora Coralina,
De “Todas as Vidas”
Que em “Eu Voltarei”
Desejou um companheiro
Corajoso e honesto
Servidor do próximo
Filhos e árvores
Pães, trigo, milho,
Pássaros cantores...
Ela,
A "Aninha das ladeiras de Goiás,"
Do “Velho Sobrado”
Abandonado
"Das Senhoras e Cavalheiros
Grandes espelhos"...
Cora Coralina
Nome bonito de falar,
Ouvir
Escrever,
Assim como tu,
Sinto que em mim
A vida "renasce e floresce"
E que nos meus versos
Há o gosto da terra...

Ana Gomes

Inspirado na biografia de Cora Coralina 

COMPREENSÃO

Houve um dia
Em que eu quis compreender
O tamanho da poesia
Sua fenomenologia...
Saí pela vida
Em busca das vidas
Dos que com ela estiveram...
Aproximei-me de Flor Bela de Alma
Assim batizada
A Florbela Espanca
Senti sua inquietação
Sua alma sonhadora
Sua rápida passagem pela vida...
Exilei-me junto à Neruda
Ouvi da sua voz
A beleza dos seus versos
Seu transpirar romântico
Seu desejo por liberdade...
Contemplei o impalpável amor
De Luís de Camões
Seu desatino
Sua transcendência
Sua contradição...
Instalei-me no pequeno quarto
De Mário Quintana
Emocionei-me com sua solidão
Seu silêncio
Sua genialidade
Sua eternidade poética...
Busquei compreender a poesia
Dissecando poetas
E no meu retorno para casa
Deparei-me com um mendigo
Sentado à beira da calçada
Maltrapilho,
Ferida na perna
Trapos no chão
Flores nas mãos
Cantarolava
E insistia em plantá-las
Em meio ao cimento...
O tempo parou em mim
Senti o “grave frio do medo”
E precisei dele
Guimarães Rosa
Profundo conhecedor da alma humana
E com ele
Escrevi
E assim como ele
“repeti o que já vivi”
E desejei
Estar no mar
À beira da praia
Sol quente
Aquecendo a superfície do meu eu
Na minha profundeza
A ausência da compreensão
Insistia em permanecer...
Ana Gomes

SEMPRE AMOR

Incessantemente
As almas
As generosas
Vão amar...
No toque que surpreende
Quase uma “parição”
Que
Sutilmente desliza
Escorrega na mobilidade
Níveis,
Graduações,
Latitude e longitude
Formas e intensidades...
Ainda assim...
Amor...
Sempre assim...
Amor...
Levemente
As almas
Amantes
Aquelas
Que
Visitam a terra...

Ana Gomes e uma amiga de Lá...


COMUNHÃO

Tem sido assim
O seu acordar
Lhe vem a lembrança
Daquele abraço
Que lhe falta
Do beijo
Que não foi dado
Do aconchego
Que não foi sentido
Tem sido assim...
Ela tem mergulhado
Em saudades dos risos
Do amor daquele
Que lhe foi pressentido...
Tem sido assim
Os seus dias
Ao sol do meio-dia
Quando dobra a esquina
E se sente seduzida
Pelo casal que avista
E presumidamente reconhece
Uma sorte bonita...
Assim tem sido
No contorno dos dias
Nos passeios pela noite
Que ligeira se avizinha
Lhe trazendo um intervalo
Para um encontro marcado
De um amor comungado
Por todas as horas
Dos seus dias...

Assim tem sido...


Ana Gomes

HOJE

No dia de hoje
Toda distância possível
Se fez presente
Repousando em mim
Uma estranha calma
E precisei do silêncio
Para companhia...
Eu quis partir
De todos os meus excessos
De tudo o que foi
Brevemente eterno...
No dia de hoje
Eu quis saber
Que idade tem essa solidão
E percebi
Que estou quanticamente longe
De tudo o que é razão
Devo retornar? ...

Ana Gomes

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

INTROSPECÇÃO

Penso nas pessoas
Olhar carinhoso
Abraço afetivo
Aperto de mão
Um mesmo caminhar...
Penso em Deus
E com Deus
Amar é fácil
Se não há Deus
Não há compreensão da fala
De quem se pensa amar
Quando amo compreendo...
Compreendo???
Devo Caminhar um pouco mais
Muito mais
Caminhar com vocês
Pessoas
Caminhar pelas virtudes
E finalmente compreender
A fala de quem se cala
Porque quem cala
Cresce
E compreende...


Ana Gomes


NEBULOSIDADE

Em silêncio
Humilde eu te peço
Deixe que eu espere
Deixe que eu acredite
Que o teu amor existiu
Que as tuas mãos me tocaram
Que o teu coração me amou
Apenas isso eu te peço
Ainda é cedo
E não consigo partir
É possível que o tempo
Leve a tua proximidade
É possível que eu perceba
Em meio a esse silêncio
Que deve ser erro meu
Que não é do meu amor que precisas
Que já não é cedo
E preciso partir...

Ana Gomes


O AMIGO DE FRANCISCO

... E então ele chegou
Humildade no olhar
Doação na alma
Brisa no coração
Certeza do caminhar...
O amigo velho
De Francisco
Coração largo
À semelhança daquele
Que perdoa
Silencia
Recomeça...
Hoje,
O amigo velho
De Francisco
Prossegue
Desintegra dores
Espiritualiza almas
Envolto num aroma
De luz divina...
O nosso Francisco de Assis
Um palácio
Uma cabana...

Ana Gomes

ALGUMA COISA

Naquela noite
Ela não dormiu
E depressa
O dia amanheceu...
E naquele dia
Ela não sorriu
O sol não brilhou
O dia passou
Sem intervalos
Para a alegria
Ela comeu
Sem ter fome
Bebeu
Sem ter sede
Falou
Sem ter algo a dizer
Não sentiu medo
Frio ou calor
Solidão?
Também não sentiu
Vazio?
Não poderia sentir
Ela havia partido
Há tempos
Estava
Alheia à tudo
E não acreditava
No seu retorno
À vida...
Ana Gomes

NÓS


Calma
Poeticamente calma
Invado sua alma
Alma de poeta
Alma inquieta...
Alma das flores
Alma das cores
Das verdades nuas
Minhas
Suas...
Na rotina da vida
Quero estar contigo
Somos da vida
Somos a vida
A vida
Nos dá o direito
Ao amor
E por amor
Eu amo
Reclamo
E me calo...
Dois corações
Imortais
Em erupção...
O tempo passa
A alma ferve
O corpo estremece
Indiscutivelmente sinto
Imortalmente
Espero
In pacientemente
Sonho
Louca esperança...

Onde andará você???
O sonho seguinte virá...
Ana Gomes

ANONIMATO

Atentamente
Percebo
Que não foi preciso
Pensar muito
Para descobrir
Sentir
Que não fostes
Autêntico
Presente
Comovente...
Noite adentro
Escuto-te
E a minha lucidez
Mostra-me
Que o belo existiu
Construído
Por mim...
Siga...
Siga com os teus passos
Eu seguirei
Docemente
Os meus...
 
Ana Gomes

DESPERTAR

Analiso a vida
Existe uma causa...
Contextualizo a vida
Sou contra tudo o que sou...
Radicalizo a vida
Sou a favor de mim...
Espiritualizo a vida
Aprendo a amar...
 
Ana Gomes

IMPROVISO

...E então
Ela improvisou
Um leve sorriso.
Por limitação humana
Não expressou
O amor que sente
Guardou-o
Num silêncio
Inquieto
Ligeiro...
Recuou,
Engoliu palavras...
Papéis sob a mesa,
Caneta na mão,
Desafio arriscado...
De que lhe serve a poesia?
Entregou-se!...
Trouxe-o para perto,
Aproximou-se,
Repousou a cabeça
No ombro amado
Deixou-se assim...
Aconchegada,
Sem conflitos,
Serena,
Amadurecida...
Mansamente seguiu,
Passos em compassos,
Deixando o passado
Para trás,
Poeticamente moldada,
Na harmonia das palavras...
 
Ana Gomes

MADRUGADA

...E sinto você chegar
Deparando-me com um vazio
Um vazio imenso
Um nítido vazio
E atua transparência
Transforma-me em poesia
Iniciando uma luta
Contra minhas dores e agonias
A lucidez dos meus pensamentos
Já não pertencem a mim
E embriagada por tua fragrância
Vou contigo para longe
Percorrendo caminhos
Por mim desconhecidos
À procura de uma
Complementação...

Ana Gomes

PROCURA

Busquei
Em tudo o que sou
A recordação de um abraço...
Já faz muito tempo
E sempre me lembrarei
Da sua ausência
Da dor da presença
Do vazio da casa
Da solidão da minh ’alma...
Vou esperar
Pacientemente
Por uma outra vida
Onde verdadeiramente seremos
Almas amigas
E então
Sentirei amor
Por ti...
 
Ana Gomes

ASPIRAÇÃO

...E foi preciso ler
Com tamanha sabedoria
O silêncio das palavras
Para não te permitir
Voar numa outra direção.
...E foi preciso adestrar
Com tamanha rapidez
Aquele esboço de amor
Para não te permitir
Se ausentar de mim.
... E foi preciso morrer
Bem devagar
Pensamento meu
Para não te permitir
Florescer em mim.
 
Ana Gomes

EU COMIGO

... E você pediu-me:
Fala-me do teu sonho!
Descreve-o na tua poesia...
Ah se soubesses
O quanto inquietou-me
Arrancou-me o silêncio...

Sonhe por mim
Alcance o beija-flor
Acompanhe Fernão
O Capelo Gaivota
Faça voos rasantes
Abrace uma nuvem
Fuja da normalidade
Viva um grande amor
Declare-o ao mundo...
Escreva um livro
Exponha-se
Torne-se criança
Suba em árvores
Ande descalça pelas ruas
Tome banhos de chuva
Celebre a vida
Dê gargalhadas
Recolha um mendigo das calçadas
“Seja leve como uma brisa
E forte como uma ventania”
Tal como foi
Clarice Lispector...
Tenha consigo
Todas as mulheres
De Cora Coralina
A cabocla velha
Pra curar mau - olhado
A mulher cozinheira
Do quitute bem feito
A mulher da roça
(lugar que tanto amo)
Símbolo da resistência
E fertilidade...
A mulher da vida
Com quem muito eu aprenderia
“Mulher desprezada
Que finge alegre
Seu triste fado”...
E num tempo qualquer
Nalgum momento
De qualquer vida,
Eu olharei em teus olhos
E perceberei
Que ter estado aqui
Valeu a pena...

Ana Gomes

TRAJETÓRIA

Naquele coração
Era tempo
De amanhecente silêncio.
Sem qualquer temor
Percorreu vidas,
Examinou,
Reconheceu...
Na geografia daquele coração
Hoje coerente,
Havia vestígios
De combates,
Aspirações,
Lamentos,
Uma forte intimidade
Com o desejo de acertar...
Naquele desarmado coração,
Passeia uma saudade
De grande tamanho
Intemporal
Da tua alegre presença
Serenidade...
Percebo,
Na imortalidade daquele andante coração
Uma história futura,
Límpida,
Impertubável,
Terna,
Comovente,
Testemunhada por mim,
Amigo do meu coração...
 
Ana Gomes

O CONTO

Era uma vez
Uma andarilha história
Um homem
Uma mulher
Um amor...
Era uma vez
Vidas percorridas
Vozes abafadas
Paz a alcançar
Poesias a escrever...
Era uma vez
Passos descompassados
Emoções turbulentas
Noites silenciosas
Pausa pra repouso...
Era uma vez
Livros não lidos
Palavras incompreendidas
Despedida da esperança
Na alma uma ferida...
Era uma vez
A espera do regresso
Suspiros de saudade
Cântico entoado
Estranha claridade...
Era uma vez
Um homem
Uma mulher
Eles não sabiam
Mas tudo havia se perdido...
Para sempre?

Uma nova história virá...
Ana Gomes

PROVAVELMENTE

Todos os dias
Todas as pessoas
Todos os olhares
Toda a alegria...
Todos os sonhos
Todos os amores
Todas as lembranças
Todos os sabores...
Todos os nomes
Todas as palavras
Todas as promessas
Toda a aparência...
Todas as vidas
Todo o tempo
Todas as forças
Toda a essência...
Todos os sentidos
Toda a razão
Toda a minha alma
Uma única direção...
 
Ana Gomes

PRONUNCIAMENTO





Inesgotavelmente
Transita em seu coração
Toda manhã
Chega como o sol
Arde como o fogo
Alimenta- lhe o pensar...
Vem de longe
Desarruma- lhe a razão
( e os seus dias)
Ela
Que lhe entontece a alma,
Desidrata silêncios
Extrai palavras antes sem voz...
Alerta e submissa
Inspirada e ligeira
Torna-se poetisa
E escreve com mãos
De quem caminha
Sonha
E vive
Em torno de ti
Subjetividade...


Ana Gomes
Parcial inquietude
Desejo de abraço
Que abrace
Por dentro...
Dimensionalidade
Geometria
Vácuo
Mistura...

Ana Gomes

FILHOS

O primeiro verão
Sem vocês
Sem o mar...
As areias macias
Das praias
Juntos
Não poderemos sentir
Sinto apenas
Os meus pés
Na dureza do asfalto
Nas calçadas rachadas...
Estou feliz
O sol
As águas
Tocam suas peles
Ainda de crianças
Guardo a esperança
Do próximo verão
E confundo
Fantasia,
Fé,
Realidade...
Aquietemos
Sei
Voltaremos à beira mar
E juntos
Colocaremos nossos pés
Nas águas
Do recomeço...

Ana Gomes

EDUARDO

O amor
Me clareia os olhos
Dá-me a certeza
De não estar só...
Filho amado
Não há sentimento
Paralelo a esse
Que transcende
Fortalece
E me aponta
O rumo certo...
A mãe e poetisa
Sabem,
Você faz da vida
Luz...
 
Ana Gomes

JOÃO

O meu menino
Já tão crescido
Amadurecido
Na arte
Do abraçar
De mansinho se encosta
Sente
E suavemente
Abraça...
Aperto forte!
Ele, recua...
Retorna e diz:
- Mamãe, me abraça sem apertar
Bem devagar...
Sei,
O meu menino
Na sua lapidada existência
Compreende o abraço
Melhor que eu...

Ana Gomes